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Visita de estudo ao El Corte Inglês e Aeroporto
Por Engrácia Bastos (Professora), em 2017/04/25829 leram | 0 comentários | 78 gostam
Turmas do Curso Profissional Técnico de Comércio (10º e 11º anos) visitaram El Corte Inglês, em Vila Nova de Gaia, e Aeroporto Sá Carneiro.
No dia 20 de abril, as turmas do Curso Profissional Técnico de Comércio (10º e 11º anos) participaram numa visita de estudo ao El Corte Inglês, em Vila Nova de Gaia, e Aeroporto Sá Carneiro, no âmbito das disciplinas de Economia, Inglês e área Técnica do curso (Comércio, OGE, CPV, MSA), sendo acompanhados pelas docentes Alice Pereira, Gabriela Gomes, Engrácia Bastos e Lucília Cardoso.
Da parte da manhã visitámos o El Corte Inglês e a nossa receção esteve a cargo da Diretora Comercial, Dra. Teresa Marinho, que sugeriu a divisão dos alunos em dois grupos, dada a exígua dimensão da sala onde foram ministradas duas palestras, tendo havido alternância entre a visita aos vários pisos de lojas e a presença nas sessões informativas.
A primeira palestra versou a temática da Gestão de Recursos Humanos, mais propriamente o recrutamento e a seleção de colaboradores, tendo sido proferida pela Dra. Ana Paterno. Esta responsável de RH abordou as técnicas subjacentes ao processo de recrutamento e seleção de colaboradores, onde privilegiam a dinâmica de grupo e as entrevistas aos candidatos. Referiu que o El Corte Inglês promove a formação destinada aos novos colaboradores, sendo, regularmente, dinamizadas ações de formação para todo o quadro de pessoal afeto à organização. Normalmente, os vendedores recebem formação específica de reciclagem sobre técnicas de venda de seis em seis meses, mas também sobre idiomas estrangeiros, particularmente inglês, francês e espanhol, sendo nestes casos os cursos ministrados por empresas externas. Acrescentou que o domínio de idiomas estrangeiros não é, no geral, condição para contratar, mas privilegiam os que revelam essas competências e demonstram uma atitude proativa.
Durante a sua exposição, a Dra. Ana Paterno alertou para a inexistência da figura de caixeiro no El Corte Inglês, pelo que o vendedor executa todo o processo inerente à venda - desde o acolhimento do cliente até à concretização da transação comercial. O vendedor está incumbido de fazer uma abordagem ao cliente, identificando as suas necessidades, captando a sua atenção, sugerindo artigos, tamanhos, cores, não sendo admissível dizer “ Posso ajudar?”, pois, nestas situações, o cliente declina a ajuda. O que se pretende do colaborador é que saiba argumentar sobre o binómio qualidade/preço e realize a venda adicional de artigos, ou seja, o cliente deve ser induzido a adquirir mais artigos do que previa. Outra recomendação importante partilhada pela especialista em RH prendeu-se com a forma de tratamento dos clientes, nunca podendo ser tratados por tu, mas sim por Senhor/Senhora, isto é, dando primazia ao contacto/comunicação formal. Do ponto de vista desta responsável de RH, o que aproxima o cliente é a atenção dispensada pelo vendedor. Relativamente ao dress code, transmitiu que os vendedores usam fato, exceto os das secções de desporto, não sendo permitido o uso de sandálias. As mulheres usam maquilhagem sóbria e acessórios – desde que não interfiram com a imagem da marca. Os homens podem optar por barba, desde que aparada/cuidada.
A segunda conferência recaiu na “Promoção no Ponto de Venda” e foi da autoria da Técnica de Merchandising, que se intitulava por “Merche” e pelo diminutivo Nocas. Esta responsável abordou as principais atividades inerentes ao seu departamento e as funções que desempenhava no El Corte Inglês. Começou por anunciar que o cerne do seu trabalho era de cariz informativo, passando pela cartelaria (técnica de execução de cartazes) alusiva às várias campanhas dinamizadas pelo El Corte Inglês, por exemplo, Dia da Mãe, Regresso às Aulas, Natal, Páscoa …, visando, no essencial, iludir o cliente para a compra, focando-se na exposição e vitrinismo. A Promoção no Ponto de Venda (PPV) abrange a montagem, studio/gráfica e Merches. O segredo de uma boa Merche é vender o que é difícil e não os artigos que, por norma, são de grande procura, e ter muita paciência. A remuneração destas técnicas inclui uma componente fixa e outra variável - em função do cumprimento de objetivos.
A Nocas divulgou o “serviço de carta de compras” proporcionado pelo El Corte Inglês aos clientes, com múltiplas vantagens associadas, na medida em que o cliente não carece de carregar os sacos durante toda a permanência nos vários pisos de lojas aquando da seleção dos produtos, podendo recolher todas as compras no próprio dia ou até 3 dias, sendo que a única desvantagem é que pode arrepender-se, não se concretizando a transação comercial, após as inúmeras operações logísticas que possa ter implicado aos colaboradores do espaço de distribuição.
Durante a sua intervenção, a Nocas fez referência à época de saldos do El Corte Inglês e distinguiu saldos de promoções, sendo que estas podem ocorrer ao longo de todo o ano e precedem o período de saldos. Por sua vez, os saldos implicam a redução de preços. Para publicitar estas modalidades recorrem a cores diferentes na cartelaria.
Para além das diversas campanhas dinamizadas pelo El Corte Inglês, também são promovidos eventos, como a “Harmonização de vinhos com Música”, isto é, esta entidade comercial do setor do retalho está em constante inovação, apelando à criatividade das suas Merches, ao espírito de equipa, à sua disponibilidade total, exigindo a reinvenção permanente da sua logística interna, que força a uma forte articulação entre as várias estruturas.
Após estas palestras enriquecedoras e de termos apreciado as técnicas originais de exposição dos artigos no El Corte Inglês, almoçámos todos na zona de restauração.
Da parte da tarde fomos para o Aeroporto Sá Carneiro, dirigimo-nos ao espaço “Aerolândia”, onde fomos recebidos pela anfitriã Rute Figueiredo. Esta, por sua vez, acompanhou-nos até ao gabinete de credenciação – da responsabilidade da polícia, para nos ser atribuído um autocolante, a fim de podermos circular em espaços restritos aos funcionários. A guia começou por nos informar que os passageiros podem alugar um cacifo durante 4 horas, suportando uma taxa de 1,50€ ou recorrer a um depósito de bagagem (3º piso), por um período de 24h que funciona das 5 às 23 horas.
A seguir deslocamo-nos para a Zona de partidas. Nesse local, os alunos foram esclarecidos acerca de pormenores evidenciados no placard (luz verde, código IATA, balcão reservado ao check-in, relógios que anunciam a hora local do destino do voo, etc.). A anfitriã fez saber que as reservas por parte dos passageiros podem ser efetuadas online, agências de viagem (Abreu e Geostar), através das companhias TAP e Ryanair. Explicou que os balcões de check-in estão divididos por ilhas (Low-cost e Bandeira). Os primeiros apenas admitem bagagem de porão, sendo o acesso ao avião por intermédio de autocarro ou meia-manga, enquanto nos segundos os passageiros têm permissão para transportarem bagagem de porão e de mão, sendo o acesso através de manga completa. Informou que as empresas que gerem o aeroporto Sá Carneiro e dão assistência a bordo são a Groundforce (bandeira) e Portway Low-cost), sendo que a Ryanair privilegia o serviço handling.
Após as considerações gerais, caminhamos até a um espaço onde se encontravam os objetos proibidos na bagagem de mão (algemas, líquidos, medicamentos, alimentos, como marmelada, mel, compotas, iogurtes, objetos cortantes, etc.). Contudo, a guia advertiu para as exceções com crianças até 7 anos de idade.
Seguidamente, fez referência às bagagens fora do formato (instrumentos musicais, pranchas de surf …) – recolhidas em tapetes próprios; animais, que podem viajar junto dos donos até 6 kg e no porão se excedem esse peso. Alertou para as etiquetas a colocar nas bagagens. Teve o cuidado de alertar para quantias superiores a 10000€ têm de passar na Alfândega.
Durante a visita orientada aludiu ao Canal Fast Track, que é cómodo, rápido e prioritário para deficientes, idosos, grávidas e crianças, sendo o custo reduzido.
No momento prévio que precedeu o acesso à sala de embarque, todo o grupo de alunos e docentes passou pelo controlo de segurança. A guia chamou a atenção para o pormenor de os aviões não efetuarem marcha atrás, sendo a inversão de marcha realizada por intermédio de push back executado por carrinho próprio. Acrescentou que a pista tem 4 km e abrange três concelhos (Maia, Matosinhos e Vila do Conde).
Outro aspeto relevante divulgado pela nossa guia prendeu-se com os voos de ligação que permitem aos passageiros circular numa faixa verde de acesso mais fácil. Informou que a recuperação de bagagens perdidas se faz em espaço próprio, por onde passamos. Publicitou o serviço Get-Bus que é uma mais-valia para os passageiros que se deslocam de Guimarães, Braga.
Estando sempre recetiva a esclarecer todas as dúvidas que surgiram ao longo da visita de estudo, a anfitriã informou que o aeroporto Sá Carneiro se encontra numa fase de crescimento sustentado - não só de passageiros como meio de transporte de mercadorias, sendo a logística afeta a este da competência da DHL. Fez questão de divulgar que em 2007 e 2017 foi distinguido com o primeiro prémio na Europa para estruturas com dimensão entre 5 e 15 milhões de passageiros, pela ACI (Airports Council International). Além disso, estão previstos avultados investimentos para responder ao acréscimo da procura turística no Norte do país e ao aumento das exportações de mercadorias.
As docentes e os alunos estão muito gratos aos responsáveis do El Corte Inglês e do Aeroporto Sá Carneiro pela oportunidade enriquecedora que concederam, dispensando colaboradores para prestarem esclarecimentos de grande utilidade à formação dos alunos.

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