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Visita de estudo ao Modelo Continente Maia Jardim
Por Engrácia Bastos (Professora), em 2017/03/27737 leram | 0 comentários | 76 gostam
Alunos de Ciências Socioeconómicas (10º e 11º anos) e CT (11º) visitaram o Modelo Continente Maia Jardim
Texto: Cristiana Mendes (11ºA)
Fotos: Márcia Macedo (11ºA)

No dia 24 de fevereiro, pelas 14 horas e 30 minutos da tarde, no âmbito da disciplina de Economia A, os alunos das turmas de Ciências Socioeconómicas dos 10º e 11º Anos da Escola Básica e Secundária Santos Simões participaram numa visita de estudo ao Modelo Continente Maia Jardim, orientada pelo seu Diretor, Senhor Joaquim Fernandes, acompanhado do responsável pela vigilância e segurança da loja.
Continente é uma insígnia de hipermercados pertencente à Sonae Distribuição. Esta foi a primeira cadeia de hipermercados em Portugal (desde 1985) e mantém-se ainda hoje como uma referência no setor de retalho alimentar do país. Composta por cerca de 300 lojas, aquela não se divorcia de opções de expansão, sendo que, em média, é criada uma loja Bom Dia por semana, com a particularidade da reduzida dimensão. Para além da marca referida - Continente Bom dia - a Sonae dirige ainda outras catorze, com destaque para o Continente Modelo, o Continente Mobile, a Well’s, entre outras. Deste modo, a mesma esforça-se por alcançar o seu principal objetivo: ser líder de mercado.
Cada loja Continente está demarcada por áreas: as áreas comerciais, das quais fazem parte as secções dos frescos e dos restantes produtos alimentares; as áreas de serviços, constituídas pelos departamentos dos recursos humanos, das caixas e do apoio ao cliente, da manutenção, da segurança, da decoração; e, por fim, a área do têxtil, representada pela marca Mo.
Existe uma série de máximas que o Continente persegue. De entre elas, a melhoria da produtividade e a diminuição do desperdício, pois adota um Sistema de Implementação de Melhoria (SIM), inspirado na filosofia Kaizen, de origem japonesa, que pressupõe a melhoria contínua e o desperdício mínimo ou nulo, procurando alcançar a excelência comercial pela busca da máxima eficiência dos processos, que conduz a resultados sustentáveis.
A organização das lojas Continente é bastante distinta, desde a disposição dos artigos nas prateleiras às estratégias de maximização dos lucros a reduzidos custos e ainda à ordenação dos stocks em armazém. De modo a avantajar-se, as lojas Continente possuem, por um lado, bancos de descanso no interior das mesmas, duas entradas cada, vários conjuntos de carrinhos de compras repartidos por aquelas e, até mesmo, recorrem a um sistema de “ilhas”, em certas zonas das lojas, onde colocam os produtos aos quais pretendem atribuir maior visibilidade. Este sistema tem um duplo benefício – é de fácil emprego em qualquer parte e atrai intensamente os consumidores, que, por vezes, não têm a intenção de comprar os produtos que nessas “ilhas” estão expostos, porém, acabam por fazê-lo.
Por outro lado, cinge-se por uma estratégia de rotatividade, mantendo sempre a menor quantidade de stock estagnado e repondo a carga de mercadoria às sextas-feiras, semanalmente, e das cinco às oito horas da manhã, diariamente; a reposição daquele é externamente reduzida, pois o Continente apresenta uma logística centralizada há, aproximadamente, dez ou doze anos; nos armazéns, todo o material constituinte está rigorosamente disposto e, patenteia um detalhe de extrema relevância – possui uma faixa VIP, corredor esse composto apenas pelos artigos de folheto e/ou reservas de clientes, daí a sua total ocupação admitir caráter de sazonalidade.
A ferramenta que fomenta uma maior relação de proximidade entre o Continente e os seus clientes é o Cartão Continente, concebido em 2007. Não sendo característica única deste hipermercado, dado que também o Minipreço, o Intermarché, o Jumbo e o Pingo Doce – o seu principal concorrente - detêm um instrumento idêntico, este apresenta especificidades singulares.
As suas lojas inserem-se maioritariamente em grandes centros comerciais nas principais cidades portuguesas, contudo existem bastantes lojas com espaço próprio, fora dos centros comerciais, como é o caso do Continente Maia Jardim.
O Continente Maia Jardim, fundado em novembro de 2009, fruto de um investimento de cinquenta e cinco milhões de euros, apresenta uma extensão de doze mil metros quadrados, aproximadamente, dos quais oito mil dizem respeito à área do cliente e os restantes quatro mil a armazéns.
A sua equipa congrega 171 pessoas, das quais 125 trabalham a “full time equivalente”, ou seja, 40 horas semanais; e as remanescentes a “part-time” (entre 10 a 20 horas por semana).
Este Continente goza de um particularidade – a sua proximidade à sede da Sonae (cerca de 4 ou 5o quilómetros).
Funcionalmente, o Continente Maia Jardim desenvolve inúmeras operações, a começar por iniciativas de interação com o público-alvo, através de reuniões, semanais ou mensais, onde se escutam as opiniões e críticas com vista à melhoria da atividade comercial. Também a própria atuação dos agentes da monitorização é prudente, de modo a alcançarem o êxito. Para isso, o mesmo adotou os seguintes estratagemas: a gestão regular do portefólio da loja, o acompanhamento desta via manual (desde 2016) e o posicionamento das câmaras de confeção na retaguarda da respetiva secção de venda ao público. Todas as conferências são realizadas na “Sala Obeya” (a qual intitulam de torre de controlo das operações).
Curiosamente, o Continente Maia Jardim desenvolve duas práticas do foro da I&D: a atividade de entrega ao domicílio e a partilha de mecanismos de aprimoramento do funcionamento da loja com outros Continentes.
O Continente Maia Jardim coloca como prioridades, não só as responsabilidades sociais, como também preocupações ambientais. As primeiras são concretizadas a partir da aceitação de pedidos de visita por parte de escolas, universidades (Minho e Porto) e mesmo grupos de empresas internacionais – Tesco, Reino Unido; Kroger, Estados Unidos da América; Nestlé, Suíça; XS, Rússia; Philips, Holanda; e Spar, Áustria, pois esta empresa é aberta ao exterior. As últimas prendem-se com o facto de o Continente fruir de uma área, de nome “Zona Verde”, onde são colocadas pilhas, lâmpadas, óleo e resíduos informáticos já disfuncionais, para se proceder à correspondente transformação e reciclagem, e também pelo facto de, em todas as secções dos armazéns, estarem expostos planogramas.
Do conjunto de consumidores do Continente Maia Jardim, os de sexo feminino apresentam preponderância face aos do sexo masculino. Quanto à constituição do agregado familiar, as famílias de três elementos são as que, maioritariamente, consomem maior número de produtos neste espaço comercial. Por sua vez, os indivíduos de idade compreendida entre os 25 e os 45 anos são a grande maioria do público-alvo deste Continente (cerca de 54%). Por fim, o auge de vendas do Continente Maia Jardim sucede ao sábado e, ao final da tarde (entre as 18 e as 20 horas), nos restantes dias da semana.
O Continente Maia Jardim ostenta um histórico magnífico no que respeita a “Prémios Loja – Excelência Operacional”. Com uma classificação de 97%, em 2011, tendo-se esmerado e alcançado os 100% nos anos seguintes, 2012 a 2014.
Em suma, esta visita de estudo foi muito produtiva e enriquecedora para os alunos de Economia, uma vez que tiveram a possibilidade de observar a complexidade dos procedimentos inerentes à logística interna de uma empresa de prestígio do setor da distribuição, bem como compreender os princípios rigorosos por que se rege em termos de planeamento e execução das inúmeras operações que encerra, de modo a maximizar a satisfação dos clientes e a sua fidelização, não descurando a rentabilidade da organização, privilegiando, para o efeito, práticas inovadoras de gestão de stocks e comerciais.
Por fim, agradecemos, vivamente, ao Senhor Diretor Joaquim Fernandes, pela gentileza com que nos recebeu e orientou no decurso de toda a visita de estudo a esta grande superfície comercial e reconhecemos a excelente capacidade de comunicação na interação franca e aberta que estabeleceu com o grupo de alunos e docentes, bem como a partilha dos vastos conhecimentos do foro comercial e, em particular, desta entidade de distribuição, contribuindo para a formação de qualidade dos jovens alunos.
Deixamos também palavras de gratidão à Administração do Grupo SONAE pelo espírito colaborativo e sentido de responsabilidade social demonstrados nestas experiências de aprendizagem que proporcionam aos alunos, cedendo tempo dos seus colaboradores em benefício da comunidade educativa e mostrando os espaços que não estão, habitualmente, ao alcance dos clientes.

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