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Turmas de Socioeconómicas visitaram empresa Kyaia
Por Engrácia Bastos (Professora), em 2017/03/05522 leram | 0 comentários | 67 gostam
As turmas de Ciências Socioeconómicas da Escola Santos Simões tiveram o privilégio de visitar uma das empresas do maior Grupo de calçado nacional: "KYAIA", em Guimarães.
Texto: João Saraiva, Rúben Faria (10ºA) e Luís Abreu (11ºA)
Fotos: Márcia Macedo (11ºA)

No dia 21 de fevereiro, numa visita organizada pela docente de Economia A, Engrácia Bastos, as turmas dos 10º e 11º anos do Curso de Ciências Socioeconómicas da Escola Santos Simões tiveram a oportunidade de visitar os variados setores da empresa Kyaia – Fortunato O. Frederico & Cª Lda., em Penselo, Guimarães, que, não obstante representar uma das empresas do maior grupo de calçado nacional, encontra-se numa fase de expansão, que por decisão da administração foi antecipada devido à conjuntura favorável para o setor.
O nosso anfitrião na empresa Kyaia foi o Sr. Engenheiro Luís Gonçalves, que nos orientou e acompanhou gentilmente ao longo de toda a visita às instalações fabris, mostrando total abertura para esclarecer todas as questões que foram surgindo aos alunos na passagem pelos diferentes departamentos e explicar vários aspetos inerentes às funções desempenhadas pela tecnologia avançada e pelos trabalhadores que nela operavam. Porém, na parte inicial da visita, recebeu-nos no hall de entrada da empresa, junto à escadaria principal, onde fez questão de exibir as maquetes que projetam a expansão gradual do grupo empresarial durante esta década e, seguidamente, conduziu-nos para a sala de reuniões, a fim de apresentar um breve historial da empresa. As paredes estavam decoradas com fotografias alusivas a momentos históricos da empresa, onde figuravam os donos da empresa e visitas de personalidades importantes da política, como chefes de governos e ministros da Economia (António Guterres, José Sócrates, Caldeira Cabral), o Presidente da República, Cavaco Silva, secretários de Estado, Presidente da Câmara de Guimarães,entre outros, e com bandeiras ilustrativas dos inúmeros países com quem estabelecem trocas comerciais, ou seja, mercados de escoamento dos produtos da empresa.
A Kyaia é uma empresa com vocação exportadora, pelo que exporta mais de 95% da produção para 59 países, em mais de 3000 pontos de venda. A Fly London possui lojas em alguns locais estratégicos, como Londres, Nova Iorque, Dublin, Lisboa e Porto, além da sua parceria com os BENELUX. Em tempos, o maior alvo da exportação foi o Reino Unido, porém, hoje em dia, são os EUA.
Esta empresa foi criada em 1984 por dois senhores, Fortunato Frederico e Amílcar Monteiro, e a marca mais conhecida no exterior denomina-se Fly London. A criação desta marca foi fruto de um acaso, pois surgiu na sequência de uma história controversa: uma zanga no avião entre dois sócios ingleses, que estavam prestes a lançar um projeto arrojado no calçado, quando estava a decorrer a feira de Dusseldorf, na Alemanha, onde a tal nova marca iria ser apresentada, quando o empresário Fortunato Frederico, bem informado, soube do stand que não abriria as portas ao público, porque os seus promotores se tinham incompatibilizado, e aproveitou a oportunidade de negócio.
A Kyaia tornou-se uma empresa de resposta rápida devido ao elevado número de encomendas, envolvendo cerca de 600 trabalhadores, divididos pelos polos (200 em Guimarães, 200 em Paredes de Coura e 200 na Foreva) e tem receitas de 65 milhões euros por ano e mais de 2000 pares de calçado são produzidos por dia, além das imensas amostras. É uma empresa que desenvolve quase todos os componentes do sapato, menos a matéria-prima. Produzem, fundamentalmente, calçado e tentam vendê-lo ao preço mais elevado, ou seja, produto de gama média/alta, enquanto na Foreva, mandam produzir na concorrência, procurando comprar ao preço mais baixo e só depois vender ao público pelo preço mais alto possível. Só trabalham para uma marca exterior - Camel, e produzem, essencialmente, para as suas próprias marcas: Softinos e Fly London.
Para a produção do sapato são necessárias matérias-primas, tais como peles, têxteis, cola e linhas, para produzir componentes como a testeira, o contra-forte, os atacadores e a fivela. Em seguida, é necessário cortar, costurar, proceder à montagem e ao acabamento do produto. No polo de Guimarães, os processos de corte e costura são menos utilizados, pois vêm cortados e cosidos de Paredes de Coura. Para proceder ao corte, são utilizados, essencialmente, dois métodos, o da faca vibratória e o de jato de água, onde a água é submetida a uma pressão de 2000 bar, cerca de 1000 vezes a pressão de um pneu de automóvel, mas também o balancé. As máterias-primas são peles naturais de bovino, cabra e porco (provenientes da Índia e Itália), bem como alguns têxteis e materiais sintéticos.
No polo de Guimarães está concentrada a “inteligência” ou “cérebro” da empresa, pois é aqui que se criam os protótipos, as amostras, isto é, onde reside a capacidade criativa e inovadora do grupo, cuja aposta no design moderno e arrojado é uma mais-valia para a competitividade da marca.
O sistema informático é extremamente importante, pois comanda uma grande parte das operações da empresa, sendo o processo produtivo e a logística sustentados na automação. A Kyaia possui duas linhas de montagem únicas no mundo, uma em cada polo, diferenciam-se das outras por tornar a montagem mais eficiente, pois esta não para. O armazém é extremamente funcional, pois apesar de ter sido criado nos anos 80, ainda respeita as ordens de produção, sendo apenas preciso um operacional. Cada linha possui um controle final por amostragem.
Na Kyaia existe um laboratório de testes de qualidade do sapato, que estuda o interior, como o conforto, se borrata a meia, etc.
No setor da costura predominam operárias, enquanto no corte e na montagem homens. Os trabalhadores que não faltarem durante o ano recebem uma gratificação pela boa assiduidade. Esta empresa só funciona, por norma, num turno (das 8 às 17 horas), contudo, quando há necessidade de recorrer a trabalho suplementar, é adotado o banco de horas.
De salientar que esta empresa se ajusta às necessidades do mercado, para se manter proativa, tendo por isso investido numa loja online, já que nos encontramos na era tecnológica, sendo os produtos entregues - não nas lojas dos respetivos países, onde a empresa dispõe de agentes comerciais locais, mas nas suas moradas, ou seja, as encomendas são direcionadas ao consumidor final, isto é, são personalizadas.
A presença de artigos FLY London em feiras e eventos internacionais, como, recentemente, na Micam, em Milão, bem como o uso dos sapatos por diversas personalidades do espectáculo, a referência na imprensa da especialidade e, em especial, o volume de vendas e a diversidade dos destinos constituem a imagem de notoriedade desta marca. Por outro lado, a Kyaia aspira a ser o maior fabricante ibérico, sendo atualmente a Itália.
Acabámos a visita no parque de estacionamento da Kyaia, onde pudemos ver a cobertura com painéis solares, que, num bom dia de sol, consegue produzir 70% da energia utilizada pela fábrica. Além disso, a empresa dispõe de veículos elétricos, o que revela as suas preocupações ambientais.
Em suma, foi uma visita de estudo importante e enriquecedora a uma das maiores empresas nacionais de calçado, na qual ficamos a aprender mais sobre o setor produtivo do calçado e onde pudemos ver aplicados alguns conhecimentos adquiridos no âmbito da disciplina de Economia. Portanto, cabe-nos agradecer muito ao Senhor Fortunato Frederico a oportunidade desta experiência de aprendizagem que nos concedeu e enaltecer a sua abertura à comunidade escolar, o que denota as práticas de responsabilidade social desta empresa famosa do nosso concelho, de que todos nos orgulhamos e empenharemos em divulgar e desejamos os maiores sucessos quer no ramo do calçado onde já dá cartas, mas também no crescimento e consolidação do Grupo noutros setores de atividade onde já deu os primeiros passos, com o investimento no setor do turismo na Quinta da Eira, em Gonça.
Fazemos votos de que este Grupo de empresas, com sede em Guimarães, continue a sua trajetória de crescimento sustentado e contribua, cada vez mais, para o PIB nacional, sendo um exemplo a seguir por outros empresários e potenciais investidores.
Por último, o nosso agradecimento ao Sr. Engenheiro Luís Gonçalves, que connosco partilhou o seu vasto conhecimento sobre o processo produtivo da Kyaia e os respetivos valores, de forma simpática e pedagógica.

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